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domingo, 20 de setembro de 2009

É dia de sol!


Brincava de correr. Tirou do bolso o brinquedo novo. Água, sabão e um assopro. Devagar a espuma foi se condensando. De repente todas as cores bem esticadas apareciam no limite de tensão. Ela queria se desprender das margens. As gotinhas usaram toda sua energia. Esticaram até o último milímetro dos pezinhos. Foi nascendo bem pequenininha. Mas era tão frágil que ao deslizar pelo corredor, bateu no telefone e voltou a estaca zero. Estaca zero de bolha é negativa. Nos dias seguintes permaneceu calada no bolso da jardineira da menina. Um mar de conversas joanísticas e coloridas fizeram com que o brinquedo saísse de dentro do bolso outra vez. Era um dia de sol e a bolhinha começou de novo a surgir. Leve e doce. O verde era a cor que se destacava quando refletia no sol. Assim uma bolhinha com cara de velha, mas força de nova, deslizou no ar. Voou alto e continua sobrevivendo na vontade da menina de sentir o movimento suave, encantador e divertido da bolha no ar. É dia de sol!

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Os binômios da vida

às vezes dói, às vezes é divertido...
tem hora que amo muito, nas outras quero amar muito...
às vezes sou alegre, mas na maior parte do tempo só eufórica...
a felicidade mesmo só dura uns instantezinhos, nos outros resta a saudade da felicidade...
por isso, às vezes,continuo...

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Violentada



Era pequena. Sonhava com castelos encantados. Vivia um pouco aprisionada por seus medos. Algo lhe impulsionou a girar. Isso ia lhe dando forma. Não era forma de moça. Era uma dessas esquisitas. Muitos não sabiam dizer o nome. Mesmo que lhe nomeassem, a forma não se encaixaria. A forma ganhava contornos cada vez mais fortes. Via as cores do pião se desfazerem no ar. A menina se olhava no espelho e aquele girar desembestado tinha feito com que esquecesse os castelos.Agora seu corpo pairava na Terra como que em pedaços de história. Um dia descobriu que era dona dos seus pés, dos seus braços, da sua cintura e de seus pensamentos. Desenhados com muitas cores. Das tristes às felizes. Era um carnaval escondido dentro da cabeça. Não tinha dia certo pra sambar. E ninguém sabia quando ia chegar a quarta de cinzas. De repente ela chegava e ficava ali acomodada. De férias dentro daquele corpo que não era de menina. Como se lhe sugasse a vida. O segredo era que tinha aprendido a dançar.Uma dança sem nome, só dela. Podia ser acompanhada por outros corpos. Um corpo anuviado, certa vez, lhe ensinou alguns passos.Mas quando a ressaca chegava não tinha nuvem nem sol que lhe fizesse sambar. Recolhia-se dentro de seus pensamentos escandalosos e doloridos.Era a quaresma. Quaresma dura mais que carnaval. Muito mais. Mas quem fica na memória são as cores, os confetes, a serpentina. Era bom porque então teria tempo para lembrar que no carnaval braço tinha virado perna, ombro cotovelo, boca olho.E seu maior prazer era fechar os olhos e fazer as cores dançarem. Tudo tinha se encontrado num sincretismo tão violento, que era preciso parar. Agora restava uma dor. Uma dor de vida. Era a dor de querer sempre a violência da alegria.