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domingo, 20 de setembro de 2009

É dia de sol!


Brincava de correr. Tirou do bolso o brinquedo novo. Água, sabão e um assopro. Devagar a espuma foi se condensando. De repente todas as cores bem esticadas apareciam no limite de tensão. Ela queria se desprender das margens. As gotinhas usaram toda sua energia. Esticaram até o último milímetro dos pezinhos. Foi nascendo bem pequenininha. Mas era tão frágil que ao deslizar pelo corredor, bateu no telefone e voltou a estaca zero. Estaca zero de bolha é negativa. Nos dias seguintes permaneceu calada no bolso da jardineira da menina. Um mar de conversas joanísticas e coloridas fizeram com que o brinquedo saísse de dentro do bolso outra vez. Era um dia de sol e a bolhinha começou de novo a surgir. Leve e doce. O verde era a cor que se destacava quando refletia no sol. Assim uma bolhinha com cara de velha, mas força de nova, deslizou no ar. Voou alto e continua sobrevivendo na vontade da menina de sentir o movimento suave, encantador e divertido da bolha no ar. É dia de sol!

sábado, 24 de novembro de 2007

Papel picado

O peito se enche de milhares de pedacinhos de papel picado. E eles brilham tanto quanto quando caem das sacadas em dia de festa. As borboletas batem suas asas e despertam um ponto que estava acomodado. Parece que ligaram o ventilador e eles não conseguem se comportar. A vida que já estava rosa, volta a ser vermelha. Os pedacinhos de papel parecem subir até a garganta. Ameaçam se espalhar. O vento tenta. Os papeizinhos vibram, as asas das borboletas são tão rápidas que nem se pode ver. O medo não deixa que os papeizinhos engasguem a moça. A estrada não consegue virar Alice. E o menino também não sabe se ainda quer uma daquela. Ele não sabe se quer que os papeizinhos todos se misturem e qualquer dia tenha que separá-los. Mas foi bem feito. Foi bem feito, e agora as borboletas entraram em catarse. Elas torcem pelo vermelho. Vibram para que os caminhos se encham de recortes. Elas querem que esses dois à toa montem o quebra-cabeça. Quem sabe os papeizinhos consigam, dessa vez, montar aquela história que a menina teima em inventar.