quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

LANÇAMENTO REVISTA OCO



Queridos não-leitores,

não sei quantos passam por aqui, mas se alguém passar e também estiver em Floripa, sexta-feira, dia 04.12, acontecerá o lançamento da REVISTA OCO editada e organizada por Rafael Becker.

Vi a revista e está bem bonita. Tem prosa, poesia, fotografia e desenhos.

O lançamento será um evento cultural, onde serão apresentados vídeos, performances e exibidas fotografias. O evento será no Contemporão, espaço focado em performance das artes plásticas e seus desdobramentos,coordenado por Yiftah Peled e Elaine de Azevedo. (http://www.dobbra.com/terreno.baldio/contemporao.htm).

Dos que já passaram por aqui, a revista tem texto do Zé Guilherme, meu primeiro "aluno-amigo" leitor e Rafael Becker,meu namorado :) .Do evento participarão apresentando suas performances o Fernando Ribeiro,meu amigo de Curitiba, além do querido Dan Piantino, amigo do francês e da dança.

Estão todos convidados a participar. Espero uma noite linda!!

Até lá!

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

A prisão dos dias de sol


Os dias bonitos são uma prisão para as almas livres que devem se submeter a cansativa e irritante rotina do trabalho. A luz do sol misturada com a névoa azul do céu nos primeiros minutos da manhã penetram a atmosfera prometendo calor. Animam a pular da cama cedo. Dez horas o frescor do dia é substituído pelo sol quente. A cama já está vazia e arrumada. As flores lá fora parecem mais coloridas e sorridentes. O peito se acalma. Mas como passe de mágica começa o corpo a sentir os melindres desastrosos da prisão. A contemporaneidade nos aprisiona no mundo da informação. Não há tempo para deixar o sol penetrar lentamente na pele e os olhos fantasiarem com as cores ao retornar para dentro de casa. Não há grama, nem jardim. O mar está ali, mas não há água. O acinzentado das ruas, das águas, dos dias poluem o dia ensolarado. O vento faz as suaves asinhas das margaridas na garrafinha de coca-cola voarem. Minha lembrança voa junto com as pétalas para as tardes mais felizes de verão. Aqueles dias no sítio. Desenhados com as cores mais fortes e as sensações da água deslizando sob a pele, a garganta, os olhos e até, certas vezes, infelizmente, pelos ouvidos. Eram vivos os gritos contornados pela água da piscina que saiam da boca das crianças. Dez, quinze pequenos serezinhos que não imaginavam um dia encontrar o cinza. Era o barro, a água, a grama, as frutas que preenchiam cada pequena existência. Escurecia, mas o calor... ali, sempre ali. Aquecendo com ternura as noites cansadas. Depois de cai, levanta, briga, brinca, era hora de sonhar com o outro dia. O que esperar hoje para amanhã?

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Despedida

O cheiro da casa dando tchau misturava-se com o cheiro da vontade da vertigem. Só ele! Para ser bege, cinza, vermelho e rosa num só.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Na ponta dos pés os cronópios


Imagem: "Os amantes" René Magritte


De repente o mundo se tornou tão generoso que as palavras pareciam desnecessárias. Aprendera a escrever só sobre o caos. Sobre as vísceras que se estrangulam na angústia da dor. Não é mais possível fazê-las sofrer. Nem que ela aperte o peito e tente vomitar algum temor. Ainda tenta buscar dentro do corpo aquilo que lhe angustiava. Aquilo de que tanto escreveu na busca de um nome. É como se o vento tivesse soprado de dentro do seu corpo todo o amarelo. A náusea ininterrupta da vida por hora estanca. A reação é um suspiro leve e alegre. Ahhh... se fosse possível suspender o tempo no momento da inspiração daquele perfume! Se resta alguma coisa a dizer é sobre o peso da rotina. Ela faz questão de sempre lembrar que os ponteiros correm. Nessas horas, voam! Gritam desesperadamente para alertar que o tempo sempre chega já dobrando a esquina. Precisa correr para não deixar escapar o instante. A vida da pressa. Essa é que faz lembrar que logo a angústia pode roubar a cena e voltar a ser de novo personagem principal. Por enquanto, se deleita usufruindo de toda cronopicidade com que foi abençoada ao nascer. Fica na ponta dos pés para alcançar outro cronópio e, então, brincarem de esquecer a razão.

domingo, 20 de setembro de 2009

É dia de sol!


Brincava de correr. Tirou do bolso o brinquedo novo. Água, sabão e um assopro. Devagar a espuma foi se condensando. De repente todas as cores bem esticadas apareciam no limite de tensão. Ela queria se desprender das margens. As gotinhas usaram toda sua energia. Esticaram até o último milímetro dos pezinhos. Foi nascendo bem pequenininha. Mas era tão frágil que ao deslizar pelo corredor, bateu no telefone e voltou a estaca zero. Estaca zero de bolha é negativa. Nos dias seguintes permaneceu calada no bolso da jardineira da menina. Um mar de conversas joanísticas e coloridas fizeram com que o brinquedo saísse de dentro do bolso outra vez. Era um dia de sol e a bolhinha começou de novo a surgir. Leve e doce. O verde era a cor que se destacava quando refletia no sol. Assim uma bolhinha com cara de velha, mas força de nova, deslizou no ar. Voou alto e continua sobrevivendo na vontade da menina de sentir o movimento suave, encantador e divertido da bolha no ar. É dia de sol!

sábado, 5 de setembro de 2009

Mais do mesmo


Sem vontade de mais uma vez viajar no mais íntimo de mim. Para que sofrer mais uma vez com a repetição da vida? Tem metáforas bem melhores que as minhas para isso. Cansei de reinventar.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Os binômios da vida

às vezes dói, às vezes é divertido...
tem hora que amo muito, nas outras quero amar muito...
às vezes sou alegre, mas na maior parte do tempo só eufórica...
a felicidade mesmo só dura uns instantezinhos, nos outros resta a saudade da felicidade...
por isso, às vezes,continuo...