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sábado, 1 de agosto de 2009

Confusão de paixão



Imagem: Bansky
O primeiro pensamento da manhã e da noite não tinham mais donos. Acordava e dormia sem ter para quem dizer bom dia e boa noite. Cativara tanto o desejo de que haveria algo para sempre nesses sentimentos. Mas esquece que uma palavra trocada pode desfazer o encanto. O príncipe se transforma em sapo. E o tempo de beijar sapo já bateu as botas. O primeiro amor então se perde no olhar do tanque sujo de escamas de peixes. Sempre aparece outro e, quem sabe, um menos platônico. O instante em que o coração deixa de querer se rasgar por aquele olhar que antes queimava é imprevisível. Ela não quer deixar suas cartas sem ter um nome para enderaçar. No entanto, o desejo é muito maior que o destinatário. A vontade é de sentir tudo de novo como se fosse da primeira vez, como se a vida se enchesse de cor. Mas se cansou de desejar tudo de bom para suas perturbações. Seu sonho agora é dizer durma em paz.

sábado, 20 de setembro de 2008

O novo




Uma folha de papel que desabotoa a pele. Eternecida por palavras que trancavam a garganta. Esperava um novo encontro. Seria como um bolo de chocolate diferente. Será possível? Queimaria-lhe a garganta e derreteria. A folha... Rasgava... Sumia... As palavras esqueciam da dor. Revigoravam-se. Estiradas no chão. Precisavam de farinha, fermento. Amar de faz-de-conta estava-lhe tirando o sono, mas era o suficiente para tornar-se real em outro pedaço de papel. O papel vazio. A caneta sem tinta. O amor, o vazio, a dor, a saudade, a certeza, a vontade, a amizade: vestiram preto e prometeram que não se deixariam juntar, nem mesmo por um pedaço de bolo. Malditas palavras! Doce ilusão...

terça-feira, 29 de abril de 2008

Romance adormecido


A fantasia que fez ainda fala. Grita em seus ouvidos e faz voar pensamentos. A proximidade das lágrimas não a empurra, balança-na! A enxuradada dolorosa em que viveram seus penamentos pulsam descabeladamente. Ah... aqueles dragões que nada tinham pra fazer. Levanta da cama para ressucitar a poesia infinita que inventaram. Vive de recriar antigas metáforas. Não quer mais olhar sem sentir. Mas fala! Desesperadamente! GRITA! Suspira a volta daquilo que aprenderam a fazer brilhar. Todos os dias devora-se para encontrar o que restou. Mas se desespera com medo de não mais nomear seu amor. Acende e apaga o fogo. Vive da chuva que tenta secar. Não quer mais brincar com o orgulho. Apenas passeia delirantemente dentro do seu romance adormecido e insiste para que alguém lhe tire para dançar.