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sábado, 1 de agosto de 2009

Confusão de paixão



Imagem: Bansky
O primeiro pensamento da manhã e da noite não tinham mais donos. Acordava e dormia sem ter para quem dizer bom dia e boa noite. Cativara tanto o desejo de que haveria algo para sempre nesses sentimentos. Mas esquece que uma palavra trocada pode desfazer o encanto. O príncipe se transforma em sapo. E o tempo de beijar sapo já bateu as botas. O primeiro amor então se perde no olhar do tanque sujo de escamas de peixes. Sempre aparece outro e, quem sabe, um menos platônico. O instante em que o coração deixa de querer se rasgar por aquele olhar que antes queimava é imprevisível. Ela não quer deixar suas cartas sem ter um nome para enderaçar. No entanto, o desejo é muito maior que o destinatário. A vontade é de sentir tudo de novo como se fosse da primeira vez, como se a vida se enchesse de cor. Mas se cansou de desejar tudo de bom para suas perturbações. Seu sonho agora é dizer durma em paz.

quarta-feira, 25 de março de 2009

História de nome

Imagem: Canibalismo de Outono - Salvador Dalí

No dia que nasceu ganhou um nome. Podia ser Maria, Joana, Esquisita. Mas não. Era aquele mesmo. Aos poucos essa forma sem sentido foi se enchendo de vontade de ser. O nome aos poucos foi sendo preenchido com cores. Inicialmente muito tímidas,mal se cumprimentavam. Mas devagar começaram a se misturar. De repente dentro do mesmo nome conseguiram transformar a matéria. Como pode? Por que é que nome não tem essência? Seria tão mais fácil ser o que o nome é. Hoje as cores colidem, batem, desmaiam, perdem a cor. Ninguém prevê suas próximas aventuras. Perigo certo! Mas qual o segredo para harmonizá-las? Tem aí um pintor disposto a por ordem na casa? Não. Ela deve ser pintora do seu nome e precisa! precisa sem falta! de um nome ordenado. De um nome de cores gostosas de viver. Sem choro, nem vela. Só para ser e ponto.

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Samba que devolve as cores

Lá de longe, escondida no despertar das paredes, como se deslizasse em um mundo de vaidades.O vazio se colore. Vermelho. Ela não pára. E a parede por vezes parece ao alcance das mãos. Etérea, volátil, viva. Contornos tênues, por vezes pretos, por ora pontilhados. Vermelho, muito vermelho. Lá de longe, no colorido, esconde-se no limbo. Não se tocam. Uma cabeça se infla, enquanto outra reflete. Do faz-de-conta vê-se a explosão. As cores se misturam. Arco-íris. Cada vez mais leve. A linha sobe firme, escura, una. Passos de tinta trilham um caminho. Carnaval. E elas explodem em sabedoria. Linha no teto. Direita, esquerda. Confetes maquiam a desilusão. Vermelho, rosa, branco, cinza. Estilete. Pinta parede de vermelho. Ciclo.Cambalhotas, risadas. Passos bêbados mancham vidas. Cores vivas, cores com lágrimas, cores que sangram. As mãos não param. O pincel não dá trégua. Volátil. Lúcida. Borram aplausos. Colorem pensamentos. Rabiscos. Espaço que jorra suspiros. Cores contam dores. Lugares cheiram amores. Ralo. Vermelho. Flores se desmantelam. Tempo. Pés encontram vozes. Cadeiras, mesas, obstáculos. Samba que devolve as cores.