Em cada tombo, riso e choro seguram como um cordão. Em um equilíbrio desarmonioso brincam como joão bobo para que a corda esteja sempre esticada. Tão presentes, tão amáveis e tão silenciados. Protagonistas desfarçados de figurantes. Vigiam a noite e não tem pretensão de ser estrela. Sabem como ninguém ocupar o lugar sem ilusões com promessas de poder. Ouvidos afiados, línguas soltas e abraços ternos. Não seria possível suportar o mundo sem essa cadeia de olhos espalhados pelo país. Os dias de mais riso são sempre com eles. Os de mais lágrimas por eles suportados. Toda gratidão seria pequena. Existem, vivem e sentem com pouco esforço a leveza e todo peso da existência de todo santo dia.
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quarta-feira, 17 de junho de 2009
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
Foi-se o tempo de menina...

Os olhos que queimam a moça, também fazem despedaçar aos poucos a vontade de sentir-se bem. O cheiro que lhe eterneceu deve sempre ser mantido à distância. Não importa o quão fresquinho e doce lhe pareça. Corpos que não precisam de encontros. Gente livre... Aprisionam pelo timbre da voz. A moça sabe que não pode desejar pedaços, fragmentos, restos. Continua a pulsar. O rio não se acalma mais. Parece hora de rasgar o papel da ilusão. O mar lhe engole, lhe suga. Deixar que a beleza cruel e trágica dos olhos andem por caminhos só seus. Eles não querem dividir seu brilho. A boca se recusa a gostar da outra. Dilacera, estirpa, mata. Não consegue se despedir. A dor, a mão, o beijo. 7 dias, muitas horas, risos e vontades. Engula o choro, moça! Foi-se o tempo de menina. Onde já se viu perder tempo com o amor?
Imagem: Senecio - Paul Klee
quinta-feira, 25 de setembro de 2008
Separar os corpos

Ela chegou em casa com a certeza de que viveu um grande amor. Apaixonou-se. O primeiro pedaço de bolo. Entregou-se sem saber onde pisava. Deu sorte. Daquelas bem grandes. Viveram docemente cada segundo de seus encantamentos. Brigaram com a mesma força que se desejavam. Beberam. Dançaram. Beijaram. Te adoro foi ficando pequeno. As calças ficaram curtas. Tiveram que casar. Amor, coração, bebê! Amigos, família, estrada! Vergonha, medo, ovo... Onde chegariam? Para onde caminhariam se decidissem dar as mãos de verdade? Não sabe... não pode saber. O caminho dividiu. Andavam por ruas que não se cruzavam. Uma rótula, uma esquina, um ponto de ônibus!!! Por favor! Não.. a vida disse não... Seguiram. A máscara, o pincel. O palco. Outro palco. Não tão distantes, mas radicalmente longe. O tempo. Serenou. Diluiu o que construiu. Escorreu. Viu que não podia segurar. Deixou ir. O tempo... Um dia e de novo o palco. A cidade fria. Os olhos iguais, a pele ... o cheiro... Sentiu falta do sal. Quem sabe? Ela sabe! Mas que venha sem dor. Virou as costas, disse tchau e não teve medo de sair. Era seu o corpo. Tinha sido seu e isso não podia ser roubado.
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