terça-feira, 1 de abril de 2008

Chopp, Beatles e Búzios.




Um moço de mochila. Era bem cedo quando trocaram o primeiro bom dia (que não devem ter passado de cinco na história)! Um desencontro.Ele, um ano triste na Ilha ensolarada. Ela, doze meses felizes na cidade cinza. Antecipadamente separados pelo tempo. Felicidade de piscar de olhos.Olhares rápidos. Sala de aula. Estado de exceção. Especismo... Chopp, beatles e búzios. Degrau, meio-fio, escada. Acreditavam que se eles não tinham sido feitos um para o outro, o mundo tinha se encarregado de se adaptar a eles. Viveriam felizes para sempre. Mesmo que o sempre durasse 36 horas. Foi assim! Borboletas e revolução. Os vinte centímetros que antes não faziam sentido. O estado que não existia. Papéis picados afogando a moça. Baldes e baldes coloridos de tinta no cenário de suas vidas. PUF!! A luz apagou. Trânsito, trabalho e todas as mil maravilhas do mundo moderno. As palavras já não eram suficientes para preencher a cama. Freneticamente ansiava por aquele som. Por dias e dias deleitava-se apenas na expectativa de conhecer aquela terra esquisita. Eternecia-se com a idéia de uma mochila tão cheirosa. O até logo dizia cada vez menos logo. Contava inocuamente os dias do calendário. Tic-tac, tic-tac. Chuva, sol. Frio, calor. As linhas cada vez mais paralelas. A mochila encontra um novo ombro. João que amava Teresa que amava Raimundo...


http://br.youtube.com/watch?v=2hG9PsqJGds

quarta-feira, 26 de março de 2008

Dois em um




Ela já nasceu dividida. Verde do pai, vermelho da mãe. Polaca na pele, paulista na vida. Foi crescendo meio sem saber por onde. Espalhava-se no jardim na hora do sol. Virava caramujo quando rodeada por outros olhos. O gosto pela brincadeira com as palavras vem daquela mala fechada. Já, o delírio e euforia não dá pra negar que herdou daquelas noites alegres. Dançava. Batia o pé naquela aguinha do banho. Tinha medo de altura, de subir em árvore. Gostava de casinha e de boneca. Quando lhe perguntaram o que queria ser foi um Deus nos acuda. Médica, psicóloga, jornalista, advogada. A tonta da menina escolheu errado. O caminho direito lhe fez mal. Era como se lhe arrancassem a língua. Um chapéu lhe tira da cadeira. Alegra-se. O cheiro do cigarro a persegue. Anos depois, uma festa. Daquelas que a mãe tinha lhe ensinado. Bolo, docinho, despedida e amigos. Um bebê. Encanta-se, canta. Volta a dançar. Mais uma vez ela se vê em duas cores, em dois lados. O lado que não quer matar o outro. Côncavo e convexo ao mesmo tempo não dá! Prende a respiração. Esconde-se do sol. Vê o tempo lhe deixar cada vez mais dividida. Duas partes. Cadê o soberano? Mais uma vez encontra o vermelho. Para quê? Por que essa menina não pode tomar um chá de camomila? Dêem-lhe um lexotan. Parem o carossel. Tudo gira. Ela encontrou um vestido preto. Tão bonitinho e simpático. Mas parece que ele escolheu o chapéu. O vestido preto vai passear com o chapéu. Vestido. Chapéu. Vestido. Chapéu. Vestido. Chapéu... que canseira!

sábado, 22 de março de 2008

"A menina dança dentro da menina"



A sensação de estar no mundo errado jamais lhe abandonara. Ainda mais amargo era saber-se desajeitada no lugar onde lhe colocavam. Sabe o jogo de achar países? Ela acabava sempre na Espanha, mesmo desejando a França. Quando lhe parece rosa é cinza. Na esperança de o cinza se colorir, joga conversa fora. Vascila e pisa em falso. Volta pra casa com a cabeça desaguando em desentendimento. O animal perfeito esconde-se. Foge. Ela está prestes a matá-lo. Mas ele é bravo como a avó com medo da seca. Um dia, o rosa vem. De novo. Ela sempre desejara um vermelho desconfiado daqueles. Sem provar. Mas lhe parece tão gostoso. Sabe, ela sente o gosto de brincadeira. Daquelas que ninguém está preocupado com a medália. Os gritos pulam da boca das crianças. É como se ela voltasse a acreditar que pode convidar alguém para o gira-gira. Lembra das cores dos olhos fechados? Pode ser que elas existam mesmo sem sol.

domingo, 9 de março de 2008

O dia que vai bater diferente!


Todos os meses do ano passaram até chegar hoje. Primeiro o coração enrijeceu. Parecia que tinham lhe dado veneno. Bastava um suspiro para ativar o mar de lágrimas. Mágoa que se desfazia em tempestades serenas. A dor de amar e desamar. Fúria despejada naquele que antes recebia os gestos mais doces do mundo. O pensamento não conseguia se desfazer dos recortes coloridos que aquele tempo deixou. O corpo contorcia-se na espera do calor com o qual havia se acostumado a passar as noites. A alma desfalecia. Como começar se não acreditava no fim? Ouvidos cansaram daquela ladainha. O sol tentou roubar do quarto tudo aquilo que ele tinha ganhado durante aquele tempo. Não era pouco, nem fácil. A cidade era nova, mas tudo que queria era a velha. Sonhava com dias acinzentados eternecidos por aquele outro corpo. Mas, pouco a pouco, a nova cidade foi se tornando realmente ensolarada. Pois naqueles dias vivia dentro de uma nuvem de fumaça. Nem um palmo a frente do nariz. Tentou enganar o coração com a razão. Mas o corpo sempre estava lá pra não deixar esquecer. Os olhares nem se encontravam mais. A alma amada já não lhe pertencia. Pertencer... que coisa boba! Dia a dia e um cantinho a menos daquele peito doía. A vida voltava a se iluminar tãaao devagar. Um dia reencontrou um amigo em uma cidade tão ensolarada quanto a nova.Naquele lugar que muitos já foram felizes. Era uma companhia antiga, com velhas memórias e novas histórias. Tinha também um carinho especial. Ele achou a chave do corpo dela. A alma não esquentou novamente. Nem mesmo um dos dois queria isso. Mas o corpo voltou a acreditar... Ainda acontece de a moça acordar domingo com saudade daquele quarto gelado. Lá onde apenas dois corações jovens e eternecidos vivam às gargalhadas. O corpo não sabe como seria encontrar de novo aquele cheiro. Sabe que naquela cidade cinza há um coração sendo amado. Mas,serenamente, apenas espera o dia de bater diferente de novo.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Dias de sim e de não


Ando sempre reto. O caminho é que entorta. Encontrei uma passagem escondida. Perguntei o que tinha. Achei que não precisava, mas entrei. Experimentei. O cheiro desagradou. Saí. A vida pareceu encorpada de novo. Desafiei com olhos apertados. Bati de frente com os escândalos alucinados. Ora driblei a certeza, ora corri em seus braços. Perdi-me em frações de segundo esfumaçados. Escureci. As bifucações se calaram. De repente, O GRITO. Meus sentidos pedem o fogo. Aventura nem parecia meu forte. Eles viram meu sorriso de sim, pois não, bom dia. Não quero. Desagrado. Descontento. Deságuo em dias ensolarados. Desgostei do vai e vem do ar no meu corpo. Quis que tudo se calasse. PSIU!!!!! Mas aquele tic tac danado! Nada de passar.

domingo, 13 de janeiro de 2008

Saudade


Cansei de sentir saudade... Acordei hoje cansada. Decidindo que não queria mais ninguém que pudesse me tirar um milímetro do meu gosto de viver em um lugar. Por que eu já morei em tantos lugares assim? São quatro cidades diferentes. Mas contando os lugares que as pessoas que eu amo nesse mundo moram... olha, não deve caber nos dedos das mãos... Nem me atrevo a contar, porque vou lembrar de gente que eu nem sei mais onde está morando. Tem gente até que nunca vi na vida e tenho saudade. Como pode?
Num dia rimos, trocamos confidências, inventamos brincadeiras. No outro: a estrada. Cada um pro seu canto, pra sua casa, pra sua vida, pros seus mais milhares de outros amigos, pros seus amores, pros seus interesses. Eu também... mas como tenho saudades dos que não estão aqui...
Se eu pudesse, não conheceria ninguém a partir de hoje que morasse em um raio maior que cem quilômetros da minha casa.
Mas como fazer isso com toda essa minha vontade de conhecer o mundo?
Que vidinha... que vidinha...

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Tempo de ser sua


Dias de náusea. Amanhecia e contava as flores no quintal, os ladrilhos do banheiro, as tábuas do chão. O tic tac do relógio ... na mesma velocidade. A respiração cadenciada custava-lhe toda ansiedade. Um samba morreu. Ela morreu. Os pensamentos boiavam na piscina.
Ventilou o corpo com ternura. Aqueceu suas angústias na beira d´agua. Aquele amor de que tanto tinham lhe falado. Nasceu. Não aquele que ela dava em troca de suas cores.
Só ela sabe o quanto lhe perturbava o barulho ensurdecedor de seu passado. O silêncio famigerado dos amores não enterrados. Assim, decreta o fim dos assaltos. Impossível que levem dela o que nem tem. Nunca mais.
Promessa boba. Pronta pra ser quebrada. Feita exatamente porque sabia que não poderia ser cumprida. Mas foi a salvação. Rastreiam o céu. Ninguém podia saber. E se lhe contassem, ela não ouviria. Ela se reconhece, se conhece, se toca.
Finalmente descobre que se movimentar os olhos para aquele lugar, voltados naquela direção, verá milhares de estrelas. Como são bonitas. Brilha! O calor voltou para suas pernas. Achou aquilo que tinha perdido em uma aventura.
Tão jovem e tão esperta. Custou-lhe um par de anos pra saber que já conhecia seu próprio segredo. Embriagada pelo hálito daquela noite, destrancou sua verdade.
Ela não é uma novidade, nem um passado, apenas a vontade de pertencer a si mesma. O cheiro dos dias voltaram a ser só dela. Cansou de dividir pensamentos e roubar idéias. A pele ainda se cura de tantos machucados. Mas ela sabe que conseguiu colocar um ponto final.